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Economia criativa está no DNA de Brasília, mostra pesquisa

Setor compreende ações que resultam em bens culturais, artísticos e inovadores com uso da criatividade. DF tem mais de 130 mil 'agentes criativos'; veja com se destaca cada região.

Costura, marcenaria, design, literatura, música, fotografia, arte e publicidade. Todas essas atividades são englobadas pela chamada “economia criativa”, que compreende ações que resultam em bens culturais, artísticos e inovadores com o uso da criatividade.

  • No Distrito Federal, o número de “agentes criativos”, ou seja, pessoas ou empresas que atuam ativamente nesses processos, já ultrapassa os 130 mil;
  • Dentre as regiões administrativas que se destacam neste cenário, estão Plano Piloto, Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Guará, Gama e Águas Claras (veja detalhes mais abaixo);
  • Os dados são do 3º relatório do Panorama da Economia Criativa do DF, da Universidade Católica de Brasília (UCB), divulgado na última terça-feira (7).

Segundo o professor Alexandre Kieling, que coordena a pesquisa, apesar de haver lugares que se destacam mais do que outros, não há nenhuma região do DF sem alguma atividade criativa. A economia criativa “está no DNA de Brasília”, diz o pesquisador.

“A gente está entregando, nesse relatório, todas as informações sobre como está a radiografia hoje nesses lugares. Que tipo de agente tem, o que ele sabe fazer, qual é o seu nível de formação, qual a infraestrutura que há para trabalhar, qual tipo de estrutura tecnológica que eles tem, e como eles estão organizados”, aponta Kieling.

Segundo o pesquisador, a partir desse “raio-X”, é possível saber como fazer girar a economia em cada região. Kieling pontua que o estudo mostra onde cada local tem potência e capacidade de gerar trabalho e renda para a população.

“À medida em que essas capacidades produtivas se organizam de maneira mais estruturada, e algumas até com mais qualificação, você muda a matriz econômica do Distrito Federal. O DF é hoje a 3ª unidade da federação que tem mais participação da economia criativa no PIB [Produto Interno Bruto]”, diz.

O DF só fica atrás do Rio de Janeiro e de São Paulo onde a economia criativa corresponde a 4,6% e 4,4% do PIB, respectivamente, conforme dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). No Distrito Federal, cerca de 3,5% do PIB vêm da economia criativa, segundo a pesquisa, o que representa mais de R$ 9 bilhões.

O relatório do Panorama da Economia Criativa do DF mapeou todas as regiões administrativas. Veja abaixo quais são os potenciais das regiões com economia criativa bem desenvolvida:

Plano Piloto

  • Diversidade de agentes e perfis 🙋🏻‍♂️
  • Vocações em produção audiovisual, gestão de carreira artística, eventos culturais, empreendedorismo cultural e tecnologias criativas 🎭
  • Negócios e empreendimentos voltados para tecnologia e inovação👩‍💻
  • Preocupação com a sustentabilidade 🌱
  • Enfoque no marketing digital para a Indústria Criativa 💻

Ceilândia

  • Vocação para o domínio da moda, que se entrelaça com Design, Criação Visual e Plástica, Fotografia, Turismo, Eventos, Feiras e Festas 👠
  • Quantidade significativa de empresas e trabalhadores atuando na indústria da Moda 👚
  • Grupo expressivo de agentes envolvidos em Gastronomia, Educação, Ocupações, Transversais, Esporte, Lazer e Turismo 👩‍🍳

Taguatinga

  • Principais vocações da região estão relacionadas aos seguintes domínios criativos: Criação Musical; Educação e pesquisa; Criação performática e Artesanato 🎨
  • Vocações criativas e expressivas, envolvendo arte urbana, artes cênicas, música e gastronomia 🎭
  • Diversidade de locais para a comercialização de produtos criativos 📍

Samambaia

  • Vocações relacionadas a lideranças e empreendedorismo cultural, valorização da cultura local🎭
  • Agentes com forte ligação com a comunidade local, o que abre oportunidades de consumo em eventos culturais e projetos promovidos localmente 🎟️
  • Infraestrutura social e cultural significativa, que inclui eventos, festas, gastronomia, espetáculos, e outras atividades culturais 🎉
  • Negócios e empreendimentos voltados para tecnologia e inovação 👩‍💻

Guará

  • ocações criativas e empreendedoras relacionadas à criação visual e plástica, à música, produção cultural e cinema 🎬
  • Agentes com múltiplas fontes de renda 💰

Gama

  • Perfil vocacional diversificado e dinâmico 🙋🏻‍♂️
  • Inclinação para o domínio dos Espetáculos e Indústria Fonográfica 🎭
  • Empreendedorismo cultural ligado às atividades musicais e performáticas 🎷
  • Tecnologias da informação e comunicação voltadas para o uso de plataformas digitais e para a experimentação de novos formatos e tecnologias no contexto da produção criativa local 💻

Águas Claras

  • Inclinação empreendedora, com perfil de gestores de escolas de artes, dança, yoga, educação ambiental, empresas de gestão cultural e espaços gastronômicos 👨🏻‍💼
  • Empreendedorismo cultural e artístico com foco em turismo internacional, englobando domínios como Criação Visual e Plástica, Turismo e Mídias 🎨
  • Entretenimento turístico com foco na visibilidade social e projeção da imagem pessoal, visando o reconhecimento pessoal 🗺️

Outros dados

Em seus dois primeiros relatórios, a pesquisa identificou que a taxa de participação da economia criativa no produto interno bruto (PIB) local é de 3,5%, gerando mais de R$ 9 bilhões no ano passado. Além disso:

  • Por reunir culturas de várias regiões do país, o DF se tornou local propício para o desenvolvimento da arte e da inovação 📈;
  • O maior número dos agentes criativos do DF (quase 60%) está concentrado nas Indústrias Criativas Complexas (publicidade, educação, turismo, eventos, feiras, festas, software, TV, rádio, jornal, conteúdo digital, audiovisual, arquitetura, moda, gastronomia e jogos) 📈;
  • O perfil sociodemográfico revelou a predominância de agentes criativos do sexo masculino (exceto no artesanato, gastronomia, moda e criação literária), pardos e brancos, na faixa etária acima dos 30 anos e alta escolaridade, com ensino superior completo e outra parte com ensino médio completo 📈.

A pesquisa

A pesquisa da UCB começou em 2022. Na primeira etapa do levantamento, mais de 3 mil documentos foram analisados para chegar à segunda fase.

“Os objetivos da primeira e segunda fase do projeto convergem em analisar as potencialidades e vocações do mercado da economia criativa nas regiões administrativas do Distrito Federal, visando a apresentação sistematizada de cenários de consumo para os domínios criativos do DF”, explica o coordenador da pesquisa, Alexandre Kieling.

Já a terceira fase teve como objetivo medir o potencial mercadológico das regiões administrativas, investigar as práticas de consumo nos locais com maior participação na economia do DF e projetar públicos existentes e potenciais.

O Panorama da Economia Criativa do DF foi realizado pela Universidade Católica de Brasília (UCB), Mestrado de Inovação em Comunicação e Economia Crítica, e conta com apoio da Fecomércio, da Secretaria de Turismo e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, além de recursos de emendas parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF).

Fonte: G1

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