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Ambipar investe R$ 50 milhões para levar reciclagem do vidro para as cinco regiões do Brasil

Aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente no âmbito do novo decreto, projeto tem como meta alcançar 400 mil toneladas de vidro reciclado até 2032

Ambipar Enviroment, empresa do grupo Ambipar focada em gestão de resíduos e economia circular, vai investir R$ 50 milhões para desenvolver a logística reversa do vidro nas cinco regiões do país. Hoje, a companhia já tem parceria com cerca de 100 cooperativas para coleta e envio para a reciclagem, mas agora vai comprar caminhões e equipar outras cooperativas para ampliar de 130 mil para 400 mil toneladas por ano, até 2032, o volume de cacos vendidos às fabricantes de embalagens de vidro.

“Só vamos melhorar as condições da coleta se melhorarmos os preços e, por sua vez a logística”, destaca Maíra Pereira, diretora executiva da Ambipar Environment. “A estrutura para reciclagem do vidro é a mais desafiadora, mas, depois de implementada, ela viabiliza a gestão de resíduos dos demais materiais”, adiciona.

O vidro é o resíduo mais problemático na cadeia de reciclagem no Brasil por sua dificuldade de transporte, riscos em seu manuseio e baixo valor agregado na venda do material – hoje, um quilo de vidro coletado é vendido a cerca de R$ 0,12, ante R$ 7 da lata de alumínio.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), no Brasil, menos de 25% do vidro usado pela indústria e consumidores têm como destino a reciclagem. Por ano, são aproximadamente 1,3 milhões de toneladas do material colocadas no mercado nos mais variados formatos, que movimentam cerca de R$ 120 milhões. Mas, somente 300 mil toneladas não vão para os aterros e podem voltar à circulação em uma nova embalagem de vidro.

O decreto federal (número 11.300), promulgado no ano passado, busca acelerar essa mudança, ao estabelecer uma meta crescente de reciclagem de materiais, que vai de 27,5% em 2023 até 40% em 2032. Também adota um percentual maior de conteúdo reciclado exigido na fabricação de novas embalagens de vidro, passando de 26% para 35% em 2032.

Para isso, toda a cadeia é vista como corresponsável e deve fazer sua parte para a logística reversa funcionar e as metas serem cumpridas: fabricantes de vidro; a indústria de bebidas e alimentos; comerciantes e distribuidores de vasilhames, de embalagens de vidro ou de produtos comercializados em embalagens de vidro; bares, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos; e outros agentes.

Trabalhadora em cooperativa parceira da Ambipar — Foto: Ambipar / Divulgação

Com o sistema de logística reversa de vidro ainda falho, as indústrias produtoras de embalagens nunca tiveram o abastecimento suficiente desses materiais para reutilizarem. Hoje, algumas chegam a importar cacos de vidro por falta de material. Além disso, a produção a partir da areia é muito mais cara e emite muito mais gás carbônico (CO2).

O programa da Ambipar é o primeiro plano de logística reversa do vidro aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para cumprimento do Decreto 11.300/2022. Segundo Pereira, o recurso, de R$ 50 milhões, se soma a outros investimentos já previstos da empresa para profissionalizar as cooperativas, de modo a ampliar a coleta e melhorar a qualidade dos materiais de forma geral. Nos últimos anos, foram mais de 10 mil profissionais da reciclagem capacitados e formados nos treinamentos. A empresa também apoia as cooperativas com equipamentos e, em alguns casos, até regularização dos trabalhadores – muitos catadores não tinham nem identidade.

Pereira explica que a formalização dos autônomos é um passo importante para incentivar o crescimento do mercado de reciclagem, assim como a própria valorização do vidro na coleta. Em média, exemplifica, que um catador que antes levava para casa R$ 600 por mês, agora recebe mais de R$ 2.000. Em média, as cooperativas que receberam o protocolo para aprender a manusear o material, aumentaram a coleta de vidro de 8 para 30 toneladas por mês e recebem cerca de R$ 0,22 por quilo, quase o dobro do valor praticado no mercado.

“Já vínhamos, há algum tempo, implementando o protocolo do vidro em cooperativas parceiras; agora vamos acelerar o desenvolvimento da logística e a infraestrutura da limpeza”, conta Pereira. A empresa vai criar um sistema de coleta, com caminhões próprios, para recolhimento de vidro de grandes geradores de resíduos, como fábricas, bares, padarias e restaurantes. Além disso, vai investir na criação de unidades de limpeza dos vidros nas cinco regiões do país, onde será também feita a triagem para revenda às indústrias e a transformação em novos produtos, fechando o ciclo da economia circular.

Segundo o governo federal, estima-se que, anualmente, mais de 1 bilhão de garrafas de vidro são descartadas no país, parte de forma inadequada em praias, rios, terrenos baldios e lixões ou em aterros sanitários. Pelos cálculos da Ambipar, a cada 6 toneladas de cacos de vidro reciclado que vai para ser reutilizado (ou seja, que não vai parar em lixões), a indústria evita a emissão de cerca de 1 tonelada de gases de efeito estufa.

O grande obstáculo do plano é o próprio desafio logístico em regiões mais afastadas do Centro-Oeste e Norte do país. Ainda mais porque hoje, as fábricas de embalagens de vidro estão concentradas no Sudeste e Sul, com algumas poucas no Nordeste.

Arte_Vidro_reciclagem — Foto: Arte/Valor

Fonte: Globo – Valor Econômico

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